No dia 28 de abril, em Lisboa, no Pavilhão do Conhecimento - Ciência Viva, teve lugar um evento dedicado ao 40.º aniversário da catástrofe de Chornobyl - uma das maiores tragédias tecnogénicas da história.
O evento teve início com a apresentação de uma exposição imersiva em realidade virtual, que apresenta imagens de arquivo de Chornobyl e Pripyat após o acidente, permitindo uma perceção mais profunda da realidade da zona de exclusão e da dimensão da tragédia. A exposição tornou-se possível graças aos esforços da equipa do eMuseu.
A sessão oficial foi aberta pelo Presidente da Ciência Viva, Pedro Russo, que sublinhou a importância da realização de iniciativas desta natureza para a preservação da memória histórica e o reforço da sensibilização pública. Manifestou ainda a disponibilidade da instituição que dirige para continuar a apoiar e promover iniciativas semelhantes, dando as boas-vindas aos participantes nas instalações do Pavilhão do Conhecimento - Ciência Viva.
Após as palavras de abertura, interveio a Embaixadora da Ucrânia em Portugal, Maryna Mykhailenko, que destacou os principais ensinamentos da catástrofe de Chornobyl e a sua relevância na atualidade.
A Embaixadora agradeceu à direção e à equipa da Ciência Viva pelo apoio à iniciativa, sublinhando a importância de realizar o evento num espaço que reúne ciência, tecnologia e educação. Foi igualmente expressa gratidão aos parceiros internacionais - a Comissão Europeia, o Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento, bem como aos 45 países doadores, incluindo Portugal, que, em conjunto com organizações internacionais, mobilizaram recursos financeiros para mitigar as consequências da catástrofe e desempenharam um papel fundamental na criação e manutenção do New Safe Confinement. Neste contexto, a Embaixadora destacou também o contributo da empresa portuguesa ISQ Group, que participou ativamente nos trabalhos de inspeção do sarcófago da central nuclear de Chornobyl.
A Embaixadora salientou que, desde o início da invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia, a zona de exclusão de Chornobyl e a central nuclear de Zaporizhzhia têm sido alvo de ações militares e de pressão, criando riscos sem precedentes para a segurança nuclear global, sublinhando a inaceitabilidade da utilização de infraestruturas nucleares como instrumento de guerra.
«À luz das ações criminosas da Rússia, entrámos numa nova realidade - na prática, já não são necessárias armas nucleares, sendo utilizadas centrais nucleares como instrumento de pressão e como arma. Este terrorismo nuclear deve ser travado por esforços conjuntos», afirmou a Embaixadora.
A Embaixadora apelou ainda à comunidade internacional para agir desde já, de forma a evitar a repetição de tragédias semelhantes no futuro.
Interveio igualmente o Encarregado de Negócios a.i. da França em Portugal, Mathieu Jagour, que reiterou a posição consistente da França no apoio à Ucrânia e no reforço da segurança nuclear global. No seu discurso, destacou o papel fundamental do Grupo dos Sete, sublinhando que a França, enquanto atual Presidência do G7, atribui particular atenção às questões da segurança nuclear.
Na intervenção de encerramento, a palavra foi dada ao Vice-Chefe da Representação da Comissão Europeia em Portugal, Luís Loureiro de Amorim, que destacou o papel de liderança da União Europeia na resposta às consequências da catástrofe de Chornobyl. Foi salientado que, ao longo dos anos, foram mobilizados cerca de mil milhões de euros para este fim, permitindo a implementação de projetos-chave, incluindo a criação e manutenção do New Safe Confinement. Foi ainda sublinhada a solidariedade contínua da União Europeia com a Ucrânia, tanto no domínio da segurança nuclear como no apoio face aos desafios atuais.
O evento terminou com a exibição do documentário do Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento, “40 Years On: Making Chornobyl Safe”, que aborda os desafios atuais relacionados com a central de Chornobyl e sublinha a necessidade de esforços internacionais para a recuperação do sarcófago após o ataque russo de 2025.
A Embaixada da Ucrânia na República Portuguesa expressa a sua sincera gratidão a todos os participantes, parceiros e oradores pela sua presença, pelos contributos valiosos e pelo empenho na realização deste evento, bem como à equipa da Ciência Viva e ao seu Presidente, Pedro Russo, pelo apoio e colaboração na sua organização.