No dia 9 de dezembro, a Primeira Vice-Ministra dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Emine Dzhaparova, participou de uma mesa redonda online ao nível ministerial, sobre a segurança dos jornalistas. O evento aconteceu no âmbito da Conferência Mundial de Liberdade de Imprensa, que foi organizada este ano pela Holanda.
Durante o discurso, foi chamada a atenção para a situação catastrófica da liberdade de expressão e segurança dos jornalistas nos territórios temporariamente ocupados da Ucrânia, i.e., na Crimeia e nas regiões de Donetsk e Luhansk. De acordo com os defensores dos direitos humanos, com a medida obrigatória de novo registo, a Rússia reduziu o número de meios de comunicação na Crimeia de quase três mil, que existiam antes da ocupação, para pouco mais de duzentos, nenhum dos quais é agora independente ou ucraniano.
“O primeiro passo do Estado de ocupação na Crimeia foi o isolamento da península do espaço de informação ucraniano, com a desconexão dos sinais de rádio e televisão. O segundo passo envolveu o assédio aos jornalistas, as buscas nas editoras e a coerção, de facto, para estes deixarem a Crimeia, assim como o bloqueio do tráfego da Internet. Como consequência, deu-se o extraordinário fenómeno do jornalismo civil, quando o cidadão comum passou a cobrir os factos da perseguição política aos cidadãos ucranianos, os quais, infelizmente, se tornaram objeto de repressão ”, disse Emine Dzhaparova.
A Primeira Vice-Ministra também lembrou que nove jornalistas civis tártaros da Crimeia estão atualmente atrás das grades na Crimeia sob acusações forjadas. Em setembro de 2020, quatro deles foram condenados a longas penas de prisão: Server Mustafayev – a 14 anos, Timur Ibragimov – a 17 anos, Seyran Saliyev - a 17 anos, e Marlena Asanova - a 19 anos. A este respeito, Dzhaparova apelou à Comunidade Internacional para usar todos os meios disponíveis para apoiar a Ucrânia na libertação destes prisioneiros.
Emine Dzhaparova ressaltou que, no âmbito dos esforços conjuntos para desocupar os territórios da Ucrânia, a Comunidade Internacional deve aumentar a pressão sobre a Rússia para que esta pare imediatamente de suprimir o desenvolvimento de um ambiente livre, seguro e favorável para jornalistas e trabalhadores dos meios de comunicação social nos territórios temporariamente ocupados da Ucrânia.
Nota: A Conferência Mundial de Liberdade de Imprensa é realizada anualmente por vários países sob os auspícios da UNESCO, como parte da celebração internacional do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa (3 de maio), o qual foi estabelecido pela Assembleia Geral da ONU em 1993, por recomendação da Conferência Geral da UNESCO em 1991.
Este ano, a Conferência Mundial sobre Liberdade de Imprensa também está programada para coincidir com o Dia Internacional contra a Impunidade por Crimes contra Jornalistas (assinalado a 2 de novembro) e será realizada na Holanda, de 9 a 10 de dezembro.