No dia 21 de outubro, em Kherson, foi organizada a conferência internacional: "Questões problemáticas sobre o abastecimento de água e uso de recursos hídricos na Crimeia sob a ocupação russa." O evento foi organizado conjuntamente pelo Ministério da Reintegração dos Territórios Temporariamente Ocupados e pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia.
Durante o seu discurso online, a Primeira Vice-Ministra dos Negócios Estrangeiros, Emine Dzhaparova, negou todas as acusações russas dirigidas à Ucrânia acerca do bloqueio da água na Crimeia e enfatizou que, de acordo com o Direito Internacional Humanitário, a Rússia, enquanto Estado ocupante, tem responsabilidade total sobre o abastecimento de água na península.
Emine Dzhaparova fez notar que a Rússia está a politizar falaciosamente a questão da água, transferindo a sua responsabilidade para a Ucrânia: “A Ucrânia não bloqueou nenhum curso de água natural ou rio por onde a água entra na Crimeia, apenas suspendeu a preferência hídrica artificial que outrora proporcionava o desenvolvimento acelerado da economia e da agricultura da península. Este é o preço da ocupação, que só tende a aumentar, e no qual, provavelmente, a Rússia deveria ter pensado antes de ousar cometer o crime de ocupação do território ucraniano”, disse a Primeira Vice-Ministra.
De acordo com a mesma, o aumento da demanda por água na Crimeia deve-se a ações ilegais da Federação Russa, que tem militarizado a península e alterado artificialmente a composição demográfica da sua população, em violação do Direito Internacional. "A Ucrânia não atenderá às necessidades do complexo militar-industrial russo em recursos hídricos. Os próprios recursos hídricos da Crimeia são capazes de atender às necessidades de água da população da península mesmo nos anos mais secos", enfatizou Dzhaparova.
A Primeira Vice-Ministra dos Negócios Estrangeiros também observou que, nas suas acusações contra a Ucrânia, a Rússia apela à proteção dos direitos humanos. Contudo, é um facto mundialmente conhecido que a Rússia é quem está a violar grosseiramente as normas do Direito Internacional Humanitário e os direitos humanos na península temporariamente ocupada, conforme descrito nas resoluções anuais relevantes da Assembleia Geral da ONU e nos relatórios especiais do Secretário-Geral da ONU sobre a situação dos direitos humanos na República Autónoma da Crimeia e cidade de Sevastopol.
Este evento contou ainda com a presença da Embaixadora Extraordinária e Plenipotenciária Larisa Gerasko, do MNE, que deu especial atenção à necessidade de aperfeiçoar os instrumentos e mecanismos internacionais para que os Estados ocupantes cumpram as suas obrigações legais internacionais, incluindo a Rússia.
Os participantes do evento discutiram separadamente as questões da militarização da península da Crimeia e a violação da legislação ambiental internacional por parte da Rússia.