Neste dia de mágoa, em que assinalamos 6 anos desde os trágicos acontecimentos em Odesa, o MNE da Ucrânia condena a hipocrisia da propaganda russa que continua a explorar esta tragédia para incitar a hostilidade e o ódio.
Os acontecimentos em Odesa, de 2 de maio de 2014, tornaram-se mais um elemento de uma cadeia de provocações a que a Federação Russa recorreu em busca do seu projeto fracassado de "Novorossiya", o qual tem por objetivo destabilizar o leste e o sul da Ucrânia, bem como desintegrar a Ucrânia.
As forças extremistas em Odesa seguiram o mesmo cenário orquestrado anteriormente pela Rússia em Donbas - proclamando uma falsa “república popular”, iniciando motins violentos com o uso de armas e com o apoio de militantes externos e intimidando os ativistas locais, tentando assim paralisar as autoridades locais e as forças de segurança.
Pretendia-se que o dia 2 de maio fosse um dia decisivo para a implementação destes planos. O ataque de extremistas armados hasteando bandeiras russas contra uma manifestação pacífica de apoio à unidade da Ucrânia desencadeou novos eventos e levou às primeiras vítimas.
Alegam que, nas suas declarações sobre o assunto, que o lado russo nunca mencionou os acontecimentos sangrentos no centro da cidade, os quais precederam o incêndio na Casa dos Sindicatos. A Rússia também se manteve em silêncio sobre os factos comprovados de ignições dentro da Casa dos Sindicatos, bem como sobre os ativistas pró-unidade que resgatavam as pessoas presas na Casa dos Sindicatos em chamas.
As agências de aplicação da lei ucranianas fizeram o possível para identificar os autores e levá-los à justiça. Na sequência das investigações criminais dos acontecimentos ocorridos em Odesa a 2 de maio de 2014, foram apresentados ao tribunal 37 autos de acusação. 3 pessoas foram condenadas. O Gabinete de Investigações do Estado realizou uma investigação em separado, prévia ao julgamento no âmbito do processo penal, por uma suspeita de envolvimento dos serviços secretos russos na organização dos motins violentos em Odesa.
A Rússia parece ser a única parte não interessada em estabelecer o verdadeiro cenário dos trágicos acontecimentos em Odesa ou as causas desta tragédia. Moscovo não só encobriu Dmytro Fuchedzhy, ex-vice-chefe do Gabinete do Ministério do Interior na região de Odesa e um dos principais suspeitos da investigação, como também lhe concedeu a cidadania russa e recusou, sob este pretexto, a oferta da Ucrânia da sua extradição.
Além disso, durante as negociações sobre a libertação mútua de pessoas detidas em setembro-dezembro de 2019, a Rússia insistiu que a Ucrânia entregasse pelo menos 9 indivíduos, que eram organizadores diretos ou indiretos e participantes dos distúrbios violentos sob bandeiras russas em Odesa.
Apelamos à comunidade internacional para se intensificarem os esforços comuns para conter a propaganda e a desinformação russas, que são elementos significativos da agressão russa e das atividades destabilizadoras contra a Ucrânia e outros Estados democráticos.