No seu discurso, a embaixadora agradeceu à Federação Portuguesa das Indústrias Agroalimentares (FIPA) pelo convite e pela posição proativa no desenvolvimento da cooperação bilateral no setor. Ela informou os líderes da indústria agroalimentar portuguesa sobre a situação atual do setor agrícola da Ucrânia, as perspetivas e as oportunidades de cooperação bilateral.
A embaixadora destacou que a indústria agroalimentar ucraniana tornou-se um dos principais alvos da agressão militar russa. Além da ocupação de quase 20% das terras agrícolas e da destruição de 30% da capacidade total do setor agrícola da Ucrânia, a Rússia ocupou ou tentou bloquear os principais portos ucranianos no Mar Negro, a fim de impedir a exportação de cereais. O roubo de equipamentos e colheitas ucranianas pela Rússia também é massivo, estimando-se em milhares de milhões de dólares. "Apesar das tentativas da Rússia de provocar uma crise global de segurança alimentar ao interromper as exportações de cereais ucranianos, o papel da Ucrânia na luta contra a fome mundial continua a ser fundamental, e agradecemos aos nossos parceiros internacionais, incluindo Portugal, pela participação na iniciativa ‘Cereais da Ucrânia’", sublinhou Maryna Mykhailenko.
A embaixadora também destacou o elevado nível de desenvolvimento do comércio ucraniano-português neste setor: segundo as estatísticas da indústria agroalimentar portuguesa, os cereais são o segundo maior grupo de importação, e a Ucrânia foi o principal fornecedor de milho e trigo a Portugal em 2023, com uma quota de mercado superior a 19%.
Foi dada especial atenção aos potenciais projetos conjuntos e às oportunidades de investimento para a indústria agroalimentar portuguesa. Em particular, foram discutidos os desafios e as oportunidades relacionados com a desminação humanitária das terras agrícolas na Ucrânia. A embaixadora agradeceu a Portugal pela sua disposição em apoiar esses esforços na Ucrânia, no âmbito do Acordo de Cooperação em Segurança entre a Ucrânia e Portugal, assinado em maio deste ano.
“As infraestruturas de drenagem e irrigação para a recuperação das terras agrícolas estão a tornar-se cada vez mais relevantes, o que atrai o interesse de doadores e investidores internacionais”, observou a embaixadora.
Outro setor importante para investimentos foi identificado como a modernização da infraestrutura agrícola da Ucrânia. Muitos dos silos de armazenamento de grãos ucranianos precisam de ser recuperados após danos causados pela guerra. "Ao investir em instalações de armazenamento e logística, as empresas portuguesas podem desempenhar um papel crucial na garantia das cadeias de abastecimento alimentar e beneficiar do potencial de exportação da Ucrânia", enfatizou Maryna Mykhailenko.
Dado que a Ucrânia busca uma agricultura sustentável, a embaixadora convidou as empresas portuguesas a colaborar em projetos de implementação de tecnologias agrícolas ecológicas e de utilização de fontes de energia renováveis na agricultura.
Maryna Mykhailenko também informou sobre os mecanismos de redução de riscos para os investidores estrangeiros durante a guerra, os incentivos disponíveis para os investidores e os projetos de investimento específicos em que podem participar.
“O futuro da agricultura e da economia da Ucrânia está repleto de oportunidades para cooperação e crescimento. A Ucrânia continua a recuperar e reconstruir-se, e o setor agroalimentar continuará a ser central nesse processo. Convido-vos, nossos parceiros portugueses, a explorar as inúmeras oportunidades de investimento que a Ucrânia tem para oferecer e a juntar-se a nós na construção de um futuro próspero para ambos os nossos países”, apelou a embaixadora.