Hoje, a Embaixadora da Ucrânia na República Portuguesa, Maryna Mykhailenko, participou na Divina Liturgia dominical que teve lugar no Santuário de Fátima. A celebração tornou-se o momento central da Peregrinação Nacional Ucraniana, que uniu os fiéis numa oração comum pela Ucrânia, pelo seu povo e pela paz.
A Liturgia foi presidida por Dom Stepan Sus, que veio de Kyiv para apoiar espiritualmente a comunidade ucraniana no estrangeiro. Na sua homilia, agradeceu ao coordenador do serviço de capelania na região, padre Ivan Petliak, pela organização da peregrinação e apelou à oração pelos soldados ucranianos, pelos feridos, prisioneiros de guerra e por todos os que sofrem com a guerra. Mais de 15 sacerdotes da Igreja Greco-Católica Ucraniana de Portugal e Espanha participaram na celebração. A presença do numeroso clero, bem como dos muitos fieis que se reuniram para esta peregrinação, testemunhou a fé viva, a profunda solidariedade e a unidade espiritual da comunidade ucraniana, mesmo longe da pátria. Este dia mostrou que os ucranianos são um povo capaz de manter a força de espírito e a coesão, apesar da distância e dos desafios da guerra.
No seu discurso, a Embaixadora chamou a atenção não só para a força da oração coletiva, mas também para a necessidade de preservar a memória histórica. Sublinhou que hoje a Ucrânia presta homenagem às vítimas das repressões políticas e do genocídio do povo tártaro da Crimeia – acontecimentos trágicos que, infelizmente, continuam a ter eco no presente.
No final do seu discurso, a Embaixadora citou as palavras de Sua Beatitude Sviatoslav, que soaram como um profundo lembrete moral do sofrimento contínuo, um apelo à unidade e à compaixão, bem como um testemunho de fé em Deus, que permanece com o povo ucraniano na sua dor, na sua luta e na sua esperança:
«É Ele quem hoje sofre no corpo da Ucrânia! É a Ele que matam nas nossas mulheres e homens na frente de batalha. É a Ele que continuam a torturar nos nossos prisioneiros. É a Ele que raptam nas crianças vendidas para o cativeiro russo.»
A oração em Fátima tornou-se um profundo lembrete de que não estamos sozinhos nesta luta. E mesmo longe de casa, somos capazes de permanecer unidos – na oração, na memória, na fé na vitória.
Foto: Sofiya Shovikova