Hoje marca o 90º aniversário de um dos piores crimes soviéticos, o genocídio do Holodomor de 1932-1933, organizado pelo regime totalitário estalinista na Ucrânia.
Uma das primeiras definições do Holodomor como genocídio pertence ao famoso jurista polaco de origem judaica, Rafal Lemkin, que introduziu o próprio termo “genocídio” no direito internacional. Em 20 de setembro de 1953, em Nova Iorque, durante uma homenagem às vítimas da fome, Lemkin fez o discurso “Genocídio Soviético na Ucrânia”. Nele, ele testemunhou o facto da "praga da fome", bem como o "extermínio da nação ucraniana através de sua russificação, perseguição à cultura, repressão contra a inteletualidade, os padres e o espírito nacional da Ucrânia".
Durante os anos da independência da Ucrânia, o Holodomor de 1932-1933 foi reconhecido como genocídio do povo ucraniano por 28 estados e 3 organizações internacionais, incluindo o Parlamento Europeu e a Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa. Este ano, 55 Estados-membros da ONU e a delegação da UE assinaram a Declaração iniciada pela Ucrânia na ONU no 90º aniversário do Holodomor de 1932-1933.
Em Fevereiro de 2022, o mundo foi convencido de que os motivos, objetivos e métodos de Moscovo não mudaram ao longo destes 90 anos. A agressão russa contra a Ucrânia também visa apagar a Ucrânia do mapa mundial, destruindo o povo ucraniano, a cultura, a língua e a história ucranianas.
Os assassinatos brutais de civis e as execuções de prisioneiros de guerra, o rapto de crianças ucranianas, os ataques a instalações civis e a infraestruturas críticas são provas indiscutíveis de que a Rússia está a cometer um genocídio contra os ucranianos no decurso de uma guerra de agressão contra o nosso país.
Para além disso, a Rússia continua a utilizar os mantimentos e a fome como arma à escala global. O bloqueio russo aos portos marítimos ucranianos e a obstrução à navegação internacional no Mar Negro já causaram escassez de alimentos em muitos países de África e da Ásia.
Recordando o Holodomor de 1932-1933, apesar da resistência à agressão armada russa, a Ucrânia continua a ser garante da segurança alimentar de muitos países e regiões do mundo. Não é por acaso que nestes dias o nosso país realiza a Segunda Cimeira Internacional de Segurança Alimentar "Grain from Ukraine", a fim de unificar e fortalecer os esforços globais na luta contra a fome e a escassez de alimentos.
O Holodomor ceifou a vida de milhões de ucranianos, mas não quebrou a nação ucraniana no seu desejo de liberdade e de vida num mundo livre, democrático e civilizado. Sempre nos lembraremos das vítimas da fome, da fome artificial massiva na Ucrânia.
Estamos gratos aos nossos parceiros estrangeiros por tomarem decisões importantes relativamente ao reconhecimento do Holodomor de 1932-1933 como genocídio do povo ucraniano, pelo seu apoio e solidariedade com a Ucrânia neste momento difícil da nossa história moderna, e apelamos aos parlamentos daqueles países que ainda não deram este passo para condenar os crimes do regime totalitário bolchevique e reconhecer o Holodomor de 1932-1933 na Ucrânia como genocídio do povo ucraniano.
A Ucrânia lembra-se, o mundo reconhece!
Foto: Sofiya Shovikova