O MNE da Ucrânia partilha da preocupação dos nossos parceiros franceses e alemães sobre a falta de progresso no processo de paz no Donbas em contexto da pandemia do COVID-19, a qual foi expressa no passado dia 30 de março, numa declaração conjunta dos ministros dos Negócios Estrangeiros desses países.
Neste mesmo dia, no Donbas, um defensor da Ucrânia foi morto por bombardeamentos russos, enquanto outros três ficaram feridos. Tal atividade das forças de ocupação russas no Donbas indica que as mesmas percebem a ameaça global do coronavírus como um momento favorável para a escalada.
Juntamente com nossos parceiros do Formato da Normandia - Alemanha e França - exigimos que a Federação Russa, como parte do conflito armado internacional, cumpra imediatamente as suas obrigações de segurança nos termos dos acordos de Minsk, em especial, para garantir um cessar-fogo permanente no Donbas. Consideramos que este passo não só é um pré-requisito necessário para o progresso noutras áreas do processo de paz, como também é um elemento importante do esforço global para combater a disseminação do COVID-19, no espírito dos apelos pacíficos do Secretário-Geral da ONU.
A Ucrânia já chamou a atenção da Comunidade Internacional para a incapacidade crítica de combater a propagação do coronavírus nos territórios ocupados. Face às condições de contínuos combates e ao bloqueio efetivo da parte ocupada do Donbas às missões especiais de monitoramento da OSCE, às agências da ONU, ao Comité Internacional da Cruz Vermelha e a outras organizações não-governamentais humanitárias internacionais, os residentes locais tornaram-se reféns desprotegidos contra esta ameaça pandémica.
A Federação da Rússia deve garantir o acesso total e desimpedido aos territórios temporariamente ocupados da Ucrânia, incluindo a secção da fronteira entre a Ucrânia e a Rússia. Este é o compromisso da Rússia perante os Acordos de Minsk, o qual foi reafirmado na última reunião dos líderes do Formato da Normandia, a 9 de dezembro de 2019, mas que continua por cumprir.
Exigimos que a Federação Russa garanta plenamente o direito à vida e garanta o acesso a assistência médica aos ucranianos presos ilegalmente e à população dos territórios temporariamente ocupados, providenciando o acesso irrestrito e seguro aos representantes das missões de monitoramento e ao Comité Internacional da Cruz Vermelha, bem como aos médicos ucranianos, com a finalidade de realizar exames e tratamentos médicos qualificados.
Em vez de encetar ações ostensivas para tentar limpar a sua reputação, a Rússia deveria dar um passo para realmente ajudar na luta internacional contra este vírus mortífero, ou seja: parar a agressão contra a Ucrânia.