No dia 26 de agosto, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, assinou um decreto onde aprova a Estratégia de Política Externa da Ucrânia.
Pela primeira vez em trinta anos de independência, a Ucrânia recebeu um documento estratégico sistematizado sobre a política externa do país ao mais alto nível.
Por iniciativa do Chefe de Estado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros, chefiado por Dmytro Kuleba, desenvolveu a referida Estratégia, que envolveu ex-chefes de serviço diplomático, importantes especialistas, académicos e centros analíticos na esfera da política externa.
A Estratégia visa proteger e promover os interesses da Ucrânia no mundo, bem como etabelecer os objetivos, prioridades geográficas e temáticas da política externa a médio prazo.
A oposição política e diplomática à agressão russa continua a ser a maior prioridade da política externa da Ucrânia.
A diplomacia ucraniana trabalha para garantir a soberania e a restauração da integridade territorial da Ucrânia, para construir um Estado pacífico, seguro e próspero que ocupe um lugar digno entre as democracias europeias.
O objetivo estratégico do país continua a ser tornar-se membro da UE e da NATO.
A estratégia prioriza as relações e parcerias estratégicas com os Estados Unidos, Grã-Bretanha, Canadá, Alemanha, França, bem como as relações com os países vizinhos: a Polónia, a Turquia, a Lituânia, a Roménia, a Geórgia e a Moldávia.
O documento prevê o reforço da posição da Ucrânia na região do Báltico e Mar Negro, o desenvolvimento de relações de boa vizinhança e parceria com os países da Europa Central, Meridional e Oriental.
A estratégia prevê a ampliação da cooperação com os países da Ásia, Médio Oriente, África e América Latina, principalmente na área de comércio e cooperação económica.
O documento visa consolidar o apoio às iniciativas da Ucrânia em organizações internacionais por parte de países asiáticos, africanos, americanos e do Médio Oriente, em particular, no combate à agressão russa e ao não reconhecimento da tentativa de anexação da República Autónoma da Crimeia e da cidade de Sevastopol.
A estratégia afirma a Ucrânia como um participante ativo na política internacional, um país que protege e promove os interesses nacionais em organizações internacionais, iniciativas multilaterais globais e regionais.
Uma das prioridades da política externa é a assistência do MNE aos negócios ucranianos, a criação de novas oportunidades nos mercados estrangeiros para os exportadores ucranianos e a atracção de investidores estrangeiros.
Uma prioridade importante é proteger os direitos e interesses dos cidadãos ucranianos no exterior, expandir a geografia da presença diplomática e consular, bem como melhorar a qualidade e a velocidade dos serviços consulares.
O documento dedica especial atenção à promoção da imagem positiva da Ucrânia no exterior, ao desenvolvimento da diplomacia pública e à criação de um "poder brando". Estamos a falar de comunicação com o público de países estrangeiros, divulgação proativa de informações positivas sobre a Ucrânia, sobre as suas reformas, economia, investimento, turismo, potencial educacional e património cultural. A estratégia também identifica a proteção contra ameaças na esfera da informação como uma das áreas importantes de atuação.
O documento prevê o desenvolvimento ativo de laços com ucranianos que vivem fora da Ucrânia, a proteção das suas necessidades nacionais, culturais e linguísticas, assim como o trabalho adicional para reconhecer o Holodomor de 1932-1933 na Ucrânia como genocídio do povo ucraniano.
O documento também analisa a posição atual e o papel do Estado ucraniano no mundo, os processos e tendências internacionais atuais, e avalia os desafios e as ameaças em várias áreas.
"Pela primeira vez em trinta anos de independência, durante a presidência de Volodymyr Zelensky, a Ucrânia recebeu um documento estratégico sistemático sobre política externa. A estratégia mostra que estamos a construir uma política eficaz a longo prazo para proteger os interesses nacionais da Ucrânia. Estamos a trabalhar para estabelecer a Ucrânia como um participante ativo na política internacional, um criador da sua própria segurança regional graças a novas alianças, um país de novas oportunidades económicas", -referiu o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Dmytro Kuleba.