Hoje, dia 18 de maio de 2021, a Ucrânia assinala o Dia da Memória às Vítimas do Genocídio do Povo Tártaro da Crimeia e presta homenagem às mais de duzentas mil vítimas inocentes do regime estalinista. Em 1944, os tártaros da Crimeia foram levados à força para vagões de carga e deportados para as regiões mais remotas da Ásia Central e da Sibéria.
A deportação de 1944 foi uma ação deliberada do regime comunista desumano da URSS para destruir um dos povos indígenas da Crimeia. De acordo com várias estimativas, mais de 46% dos tártaros da Crimeia deportados morreram em locais de assentamentos especiais apenas nos primeiros anos de exílio como resultado de fome, doenças em massa, abusos e trabalhos forçados. Nesses assentamentos especiais, os tártaros da Crimeia foram mantidos em condições severas com um regime de toque de recolher obrigatório. Foram sujeitos a trabalhos forçados e exaustivos em minas, locais de extração de madeira e na construção de canais de irrigação. Apesar das inúmeras perdas nas décadas seguintes, os tártaros da Crimeia continuaram a sua luta política pelo direito de regressar à sua pátria.
Em 2014, setenta anos após a deportação de 1944, a Federação Russa ocupou a Crimeia e renovou a repressão contra os tártaros da Crimeia, encetando a perseguição política sistemática, a pressão física e psicológica, a aniquilação da imprensa independente, a discriminação com base na religião, e violação dos direitos de propriedade e de língua materna, e forçou mais de 48.000 tártaros da Crimeia e ucranianos a abandonar a sua terra na península ocupada. No dia 29 de setembro de 2016, o Supremo Tribunal da Rússia proferiu a decisão de proibir o Mejlis do povo tártaro da Crimeia, rotulando-o de “organização extremista”.
Centenas de cidadãos ucranianos, incluindo os tártaros da Crimeia, foram vítimas de repressão política na sequência de processos criminais fabricados pelos ocupantes russos. Dezenas de prisioneiros estão detidos ilegalmente na Crimeia e na Rússia por acusações de motivação política.
A posição da Ucrânia no que respeita a proteção dos valores democráticos europeus, dos direitos humanos e das liberdades mantém-se inalterada e é inabalável. A Ucrânia protege os direitos do povo tártaro da Crimeia em pé de igualdade com os direitos de todos os povos indígenas que vivem em território ucraniano.
A Ucrânia apela à comunidade internacional para que condene este crime do regime comunista totalitário e reconheça a deportação dos tártaros da Crimeia em 1944 como genocídio do povo tártaro da Crimeia.
Também encorajamos todo o mundo civilizado a se juntar à Plataforma da Crimeia e a trabalhar conjuntamente para abordar as questões políticas, de segurança, jurídicas, económicas e humanitárias urgentes causadas pela ocupação russa da Crimeia.
Quantos foram,
Aqueles que corajosamente lutaram
Pela liberdade,
Que pereceram na batalha
Pelo seu direito sagrado!
Para trazer de volta e para sempre
O bom nome do meu povo
E dizer a toda a gente: Nós estamos vivos,
Nós não morremos, nós subsistimos
Ablyaziz Vyeliyev (Poeta tártaro da Crimeia, tradutor e jornalista)