A infância é o tempo em que as memórias são mais brilhantes e as quais são lembradas durante toda a vida. Esse tempo não se repete e não volta atrás. A infância de muitas crianças na Crimeia terminou no dia em que representantes dos serviços secretos da ocupação russa invadiram as suas casas pelo início da manhã. Desde esse dia, nem as mulheres nem as crianças se sentem seguras. O seu modo de vida habitual desmoronou a partir daquele momento.
Ao longo dos 7 anos de ocupação, as autoridades russas cometeram perseguições e repressões em grande escala ao povo nativo da Crimeia: os tártaros da Crimeia – um grupo historicamente dissidente, que declarou abertamente o não reconhecimento da ocupação da Crimeia a 26 de fevereiro de 2014 e realizou um protesto em massa contra a ocupação.
Para reforçar o seu poder na península ucraniana, os ocupantes russos recorrem a prisões, a buscas forçadas em casas e mesquitas, bem como a interrogatórios aos residentes. Nos últimos anos, o Serviço de Segurança Federal Russo (FSB) e o Centro "E" abriram cerca de uma centena de processos criminais e administrativos contra os tártaros da Crimeia. Muitos dos réus nesses casos são parentes.
Atualmente, 200 crianças menores de idade estão sem pais. Em algumas aldeias, onde existem grupos compactos de tártaros da Crimeia, após as detenções, os bairros transformaram-se totalmente em "ruas só de mulheres". Muitas crianças precisam de longa reabilitação psicológica. Na casa de um prisioneiro político, os oficiais do FSB tentaram fazer uma piada: “Estamos a fazer um filme, miúdo. Não te preocupes!". Depois da “rodagem” desse “ filme”, em outubro de 2017, o pai do menino ainda não voltou para casa.
Quaisquer crenças religiosas não sancionadas pela administração da ocupação russa são criminalizadas na Crimeia. Desde 2014, 74 pessoas já foram presas por leitura de livros “proibidos” e acusados de terrorismo, no decorrer dos “casos Hizb ut-Tahrir” fabricados pela ocupação. Todos os detidos são reconhecidos como presos políticos pela coligação de ONGs ucranianas de direitos humanos, que protegem os direitos dos cidadãos ucranianos que sofreram com a agressão militar russa contra a Ucrânia. Os mesmos enfrentam penas pesadas de 15 a 20 anos de prisão em colónias corretivas de regime estrito e têm sua liberdade negada sem corpus delicti, em violação do Direito Internacional. Todos eles se tornaram reféns nas suas próprias terras, ocupadas e militarizadas pelas forças militares russas.
Entre os prisioneiros dos processos criminais do Hizb ut-Tahrir, mais de 10 pessoas são jornalistas civis, que filmaram buscas e sessões judiciais na Crimeia, defensores dos direitos humanos, voluntários e ativistas, que ajudaram famílias de presos políticos, recolhendo alimentos e roupas para os centros prisão preventiva.
Casos de perseguição por parte das tropas militares russas espalharam-se por toda a sociedade tártara da Crimeia e as suas consequências continuarão por muito tempo a ser sentidas na pele, pelos habitantes da Crimeia.

Zekiryaev Server, 47 anos
Professor de educação física na escola.
Ativista da “Solidariedade da Crimeia”. Ajudou na transferência de provisões e roupas para prisioneiros políticos, assistiu a sessões do tribunal e buscas.
Sob custódia desde 11 de outubro de 2017.
Server Zekiryaev foi condenado a 13 anos numa colónia prisional de segurança máxima.
A 18 de julho de 2019, o Parlamento Europeu aprovou uma resolução onde se pedia à Rússia que libertasse todos os presos políticos ucranianos, incluindo Zekiryayev.
Filhos:
Zekiryaev Edem 10/02/1998
Zekiryaeva Nazife 07.12.2002
Zekiryaeva Safiye 08/30/2004
Zekiryaeva Uriye 08/10/2008
Zekiryaeva Melek 08/31/2011
Zekiryaeva Hatidzhe 06/01/2013
Zekiryayev Ibrahim 10/11/2016
Zekiryaeva Kevser 07/18/2009
Zekiryaev Muhammad 05/05/2011
Zekiryaeva Meriem 05/05/2012
Zekiryaeva Asiye 04/12/2016
Zekiryaeva Gulsum 09/28/2017
Zekiryaeva Aisha 03/21/2018

Omerov Riza, 32 anos
Economista.
Assistiu a julgamentos, buscas, ajudou famílias de prisioneiros políticos.
Riza Omerov foi condenado a 13 anos numa colónia prisional de segurança máxima, com os primeiros dois anos cumpridos na prisão.
Sob custódia desde 10 de junho de 2019.
O seu pai e o seu cunhado também foram detidos e presos. Este é o maior "caso familiar" na Crimeia.
A 18 de julho de 2019, o Parlamento Europeu aprovou uma resolução onde se pedia à Rússia que libertasse todos os presos políticos ucranianos, incluindo Omerov.
Filhos:
Omerov Imran 08/13/2012
Omerov Suleiman 05/08/2014
Omerov Ahmad 01/28/2017
Omerov Isa 08/09/2019

Dzhapparov Ayder, 40 anos
Eletricista, Muezzin (funcionário de uma mesquita).
Assistiu a julgamentos, buscas, ajudou famílias de prisioneiros políticos.
Ayder Dzhapparov foi condenado a 17 anos numa colónia prisional de segurança máxima, com os primeiros dois anos cumpridos na prisão.
Sob custódia desde 10 de junho de 2019.
A 18 de julho de 2019, o Parlamento Europeu aprovou uma resolução onde se pedia à Rússia que libertasse todos os presos políticos ucranianos, incluindo Dzhapparov.
Filhos:
Yasmin Dzhapparova 07/16/2005
Ali Dzhapparov 08/01/2007
Maryam Dzhapparova 10/01/2009
Abdullah Dzhapparov 02/04/2011
Ahmad Dzhapparov 03/30/2013
Umar Dzhapparov 09/20/2015
Osman Dzhapparov 06/16/2017
Fatima Dzhapparova 05/25/2019

Adilov Bilyal, 50 anos
Soldador a gás elétrico, funcionário numa mesquita.
Assistiu a tribunais, buscas, ajudou famílias de
prisioneiros politicos.
Enfrenta 20 anos de prisão.
Sob custódia desde março de 2019.
A 18 de julho de 2019, o Parlamento Europeu aprovou uma resolução onde se pedia à Rússia que libertasse todos os presos políticos ucranianos, incluindo Adilov.
Filhos:
Adilov Asan 08/15/1994
Adilova Fera 01/04/2001
Adilov Fevzi 07/20/2002
Adilov Suleyman 10/24/2005
Adilova Sultaniye 05/03/2010
Adilova Gulzar 07/06/2013
Adilova Sabriye 09/06/2015

Abdullaev Teymur, 45 anos
Jurista, treinador e professor da secção de desporto de Taekwondo.
Condenado a 16 anos e 6 meses numa colónia penal de regime estrito com restrição de liberdade pelo prazo de 1 ano e 6 meses.
Sob custódia desde 12 de outubro de 2016. Preso no mesmo dia que o seu irmão, Uzeyir Abdullayev, este último condenado a 12 anos e 6 meses numa colónia penal de regime estrito.
A 18 de julho de 2019, o Parlamento Europeu aprovou uma resolução onde se pedia à Rússia que libertasse todos os presos políticos ucranianos, incluindo Abdullaev.
Filhos:
Abdullayev Umar 01/22/2010
Abdullayeva Raikhan 10/06/2011
Abdullayev Usman 10/22/2013
Abdullayev Ali 04/04/2008
Abdullayeva Asma 06/22/2016

Mamutov Enver, 45 anos
Estucador, organizador de eventos em massa de comemoração de feriados nacionais.
Condenado a 16 anos e 9 meses numa colónia penal de regime estrito com restrição de liberdade por 1 ano e 6 meses.
Sob custódia desde 12 de maio de 2016.
A 18 de julho de 2019, o Parlamento Europeu aprovou uma resolução onde se pedia à Rússia que libertasse todos os presos políticos ucranianos, incluindo Mamutov.
Filhos:
Mamutov Suleyman 07/01/2006
Mamutova Madina 07/25/2008
Mamutov Sahib-Giray 07/07/2011
Mamutov Umar 01/16/2014
Mamutova Samira 03/19/2016

Muyedinov Yashar, 52 anos
Construtor.
Assistiu a julgamentos, buscas, ajudou famílias de prisioneiros políticos.
Enfrenta 20 anos de prisão.
Sob custódia desde 27 de março de 2019.
A 18 de julho de 2019, o Parlamento Europeu aprovou uma resolução onde se pedia à Rússia que libertasse todos os presos políticos ucranianos, incluindo Muyedinov.
Filhos:
Ibragimova Evelina 11/20/2000
Muedinov Muhammad 12/09/2006
Muedinova Azime 07/11/2008
Muedinova Sumaya 06/21/2011
Muedinova Amal 12/22/2013
Muedinova Ayat 03/20/2017

Aivazov Raim, 27 anos
Carpinteiro.
Organizava as provisões de alimentos e roupas para os ativistas tártaros da Crimeia presos na Crimeia.
Enfrenta prisão perpétua.
Sob custódia desde 17 de abril de 2019.
Foi detido ao atravessar o posto de controlo de Armyansk, e foi depois torturado. Um oficial do Serviço Federal de Segurança russo (FSB) simulou uma execução, disparando com uma arma de fogo perto dele. Depois disso, foi levado para o departamento do FSB, onde a detenção foi documentada oficialmente.
A 18 de julho de 2019, o Parlamento Europeu aprovou uma resolução onde se pedia à Rússia que libertasse todos os presos políticos ucranianos, incluindo Aivazov.
Filhos:
Ayvazova Ayat 01/02/2018
Ayvazova Amaliya 02/12/2019

Suleymanov Ruslan, 37 anos
Professor de física, jornalista civil da “Solidariedade da Crimeia”, voluntário do projeto “Infância da Crimeia” (uma associação que ajuda crianças, filhos de presos políticos).
Enfrenta prisão perpétua.
Preso desde 27 de março de 2019.
A 10 de junho de 2019, os oficiais do FSB detiveram o irmão de Ruslan Suleymanov, Eskender. Ele também acusado, ao abrigo da parte 2. 205.5 do Código Penal da Federação Russa.
A 17 de abril de 2019, o Representante da OSCE para a Liberdade de Imprensa, Arlem Desir, condenou a prisão de ativistas da “Solidariedade da Crimeia” após as buscas em massa do dia 27 de março na Crimeia anexada, e pediu a sua libertação imediata do centro de detenção provisório russo.
A 18 de julho de 2019, o Parlamento Europeu aprovou uma resolução onde se pedia à Rússia que libertasse todos os presos políticos ucranianos, incluindo Suleymanov.
No dia 6 de novembro de 2019, o Sindicato Nacional de Jornalistas da Ucrânia reconheceu os jornalistas civis tártaros da Crimeia perseguidos na Crimeia, incluindo Suleymanov, como vencedores coletivos do “Prémio Nacional Igor Lubchenko” para a Proteção da Liberdade de Expressão.
A 3 de fevereiro de 2020, a “Freedom House”, uma organização internacional de direitos humanos, apelou à Rússia para rever as sentenças dos jornalistas tártaros da Crimeia ligados ao movimento de direitos humanos “Solidariedade da Crimeia”.
Filhos:
Suleymanov Ali 02/06/2004
Suleymanov Muhammad 11/08/2009
Suleymanova Asiya 09/10/2014





















