No dia 15 de outubro de 2026, a Embaixadora da Ucrânia em Portugal, Maryna Mykhailenko, participou na mesa-redonda «Criatividade e Geopolítica», realizada na Universidade Católica Portuguesa, em Braga, no âmbito da Semana da Criatividade.
A discussão contou também com a participação de Serhii Pakhomenko, representante da Universidade Estatal de Mariupol, e de André Azevedo Alves, professor do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa. A mesa-redonda foi moderada pelo politólogo e comentador português João Pereira Coutinho.
Na sua intervenção, Maryna Mykhailenko sublinhou que a agressão russa em grande escala obrigou a Ucrânia a encontrar soluções inovadoras nos domínios da diplomacia, da defesa e do direito internacional. Destacou a persistência da diplomacia ucraniana, a mobilização do apoio internacional, o desenvolvimento de tecnologias inovadoras de defesa e a criação do Tribunal Especial para o Crime de Agressão contra a Ucrânia como exemplos de abordagens criativas para superar desafios sem precedentes.
Durante o debate, Maryna Mykhailenko chamou a atenção para a dimensão internacional da agressão russa e para o apoio prestado à Rússia por outros regimes autoritários. A Embaixadora sublinhou que o verdadeiro objetivo do Kremlin não é apenas ocupar territórios ucranianos, mas também privar a Ucrânia do direito à independência e à sua própria escolha europeia. «Esta é uma guerra entre a democracia e a autocracia, travada no nosso território», afirmou.
A Embaixadora dedicou especial atenção à resiliência da sociedade ucraniana, assente na auto-organização dos cidadãos, nas redes horizontais de solidariedade e na capacidade de rápida adaptação a novos desafios. Destacou o crescente interesse dos parceiros europeus pela experiência ucraniana na resposta às ameaças contemporâneas e agradeceu a Portugal pelo desenvolvimento da cooperação no domínio da defesa. A Embaixadora apresentou ainda exemplos de soluções inovadoras adotadas pela Ucrânia e pela União Europeia, que permitiram acelerar os processos de integração europeia e assegurar o apoio à Ucrânia em tempo de guerra.
O representante da Universidade Estatal de Mariupol, Serhii Pakhomenko, falou sobre a tragédia de Mariupol, destruída pelas forças russas, a deslocação forçada da universidade para Kyiv e a continuidade das suas atividades apesar da guerra. Sublinhou que, para a comunidade académica ucraniana, a criatividade se tornou um instrumento de sobrevivência, destacando também a importância de preservar a identidade cultural ucraniana e de desenvolver a cooperação entre as universidades da Ucrânia e de Portugal.
O professor André Azevedo Alves centrou a sua intervenção no papel da criatividade na superação de conflitos históricos, recorrendo ao exemplo da integração europeia e da evolução das relações entre Portugal e Espanha. Salientou a necessidade de conciliar o realismo político com a responsabilidade moral e os princípios da justiça, sublinhando que uma paz justa não pode limitar-se ao fim de um conflito a qualquer preço.
Durante o diálogo com os estudantes e representantes da comunidade académica, foi dada especial atenção à responsabilidade dos Estados europeus na defesa dos valores democráticos, ao apoio concreto à Ucrânia e ao reforço da cooperação académica internacional. Os participantes destacaram a importância dos esforços conjuntos para enfrentar as atuais ameaças geopolíticas e alcançar uma paz justa e duradoura.
Foto: Sofiya Shovikova