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Embaixadora da Ucrânia Maryna Mykhailenko participou num colóquio internacional sobre segurança global em Portugal
10 outubro 2026 14:37

No dia 8 de outubro de 2026, a Embaixadora da Ucrânia na República Portuguesa, Maryna Mykhailenko, participou no colóquio internacional «Questões do Nosso Tempo», subordinado ao tema «Ideias Locais para Desafios Globais», realizado na Universidade da Beira Interior, na Covilhã. O evento reuniu representantes do corpo diplomático, autoridades portuguesas, membros da comunidade académica, especialistas e estudantes para debater as transformações da ordem internacional e os atuais desafios de segurança.

Na sessão de abertura do colóquio, a Reitora da Universidade da Beira Interior, Ana Paula Coelho Duarte, o Presidente da Câmara Municipal da Covilhã, Hélio Jorge Simões Fazendeiro, e o Presidente do Instituto para a Promoção da América Latina e Caraíbas (IPDAL), Paulo Neves, destacaram a importância do diálogo internacional, da defesa dos valores democráticos e do reforço da cooperação internacional. O Presidente da Câmara Municipal manifestou solidariedade com a Ucrânia e o povo ucraniano, enquanto o Presidente do IPDAL sublinhou que, pela primeira vez em vinte anos de atividade, a organização afastou-se da sua tradicional posição de neutralidade relativamente aos conflitos internacionais, assumindo uma posição de princípio em apoio à Ucrânia.

A Embaixadora Maryna Mykhailenko interveio no painel «Frentes de Guerra e de Tensão: Ucrânia, Médio Oriente», dedicado aos atuais conflitos armados, à competição geopolítica e às perspetivas de garantia da segurança internacional. Na sua intervenção, a Embaixadora apresentou a situação na Ucrânia e salientou que a agressão russa, que se prolonga há mais de doze anos, representa uma ameaça não apenas à soberania e à existência do Estado ucraniano, mas também a todo o sistema da ordem jurídica internacional.

«A Rússia não está a vencer esta guerra e a Ucrânia não a está a perder», afirmou Maryna Mykhailenko, sublinhando que a Rússia não conseguiu alcançar os seus objetivos estratégicos iniciais: subjugar a Ucrânia, mudar a sua liderança e travar o processo de integração europeia do país. A Embaixadora destacou a coragem dos defensores ucranianos, a resiliência da sociedade e o apoio dos parceiros internacionais. Chamou igualmente a atenção para o desenvolvimento da indústria de defesa ucraniana e das tecnologias inovadoras, cuja experiência assume particular importância para a segurança europeia.

Foi também dada especial atenção às perspetivas de pôr fim à agressão russa e à necessidade de alcançar uma paz justa e duradoura. «A Ucrânia nunca foi e nunca será um obstáculo à paz», sublinhou a Embaixadora, reafirmando a disponibilidade da Ucrânia para os esforços diplomáticos e para um cessar-fogo incondicional, apesar da ausência de uma disponibilidade correspondente por parte da Rússia.

Na parte final da sua intervenção, Maryna Mykhailenko destacou a ligação indissociável entre a segurança da Ucrânia e o futuro da Europa. Segundo a Embaixadora, para a Ucrânia, esta guerra é uma questão de existência do Estado e da nação, enquanto, para a Europa, está em causa a defesa da sua segurança, dos seus valores democráticos e do seu modo de vida. A Embaixadora sublinhou que a Ucrânia é e continuará a ser uma componente essencial da arquitetura de segurança europeia e que a coragem, a resiliência e a determinação do povo ucraniano em não se render constituem um dos mais importantes ativos da Europa. Agradeceu ainda a Portugal e aos parceiros internacionais pelo seu apoio inabalável à Ucrânia.

No âmbito do painel, o Professor Jorge Tavares da Silva analisou a transformação da ordem internacional, o crescente peso geopolítico da China e dos países do Sul Global, bem como as ambições imperiais da Rússia. Sublinhou a necessidade de respeitar o direito internacional, promover o diálogo diplomático e reforçar o papel das organizações internacionais na resolução de conflitos. O debate foi moderado pelo Vice-Reitor da Universidade da Beira Interior, Bruno Ferreira Costa.

A participação da Embaixadora da Ucrânia no colóquio constituiu uma oportunidade para apresentar à comunidade académica e diplomática portuguesa a posição da Ucrânia relativamente à agressão russa, à necessidade de alcançar uma paz justa e ao papel fundamental do país no reforço da segurança europeia.

Foto: Sofiya Shovikova

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