Consideramos a realização das chamadas "paradas militares" por ocasião do 75º aniversário da Vitória sobre o Nazismo, no dia 24 de junho de 2020, que integrou unidades da Frota do Mar Negro da Federação Russa nos territórios da República Autónoma da Crimeia e na cidade de Sevastopol, temporariamente ocupados pela Federação Russa, bem como as formações armadas da Federação Russa nos territórios da Ucrânia temporariamente ocupados – nas regiões de Donetsk e Luhansk – um flagrante desrespeito do lado russo perante a legislação atual da Ucrânia e as normas do Direito Internacional, incluindo a Resolução A/Res/68/262 da Assembleia Geral das Nações Unidas de 27 de março de 2014 sobre a "Integridade Territorial da Ucrânia".
Esta provocação reafirma o facto de que a Rússia está a intensificar deliberadamente as tensões nas relações ucraniano-russas e não quer resolver as questões problemáticas causadas pela agressão armada da Federação Russa e pela ocupação de parte do território soberano da Ucrânia.
Acreditamos que a realização das chamadas "paradas militares" em Donetsk e Luhansk, temporariamente ocupados pela Federação Russa, durante as quais foram ostentados obuseiros de 155 mm 2A65 "Msta-B", obuseiros de 122 mm 2C1 "Gvozdnika", lançadores múltiplos de foguetes BM- 21 "Grad", bem como outros equipamentos militares, em particular, sistemas de mísseis antiaéreos "Strila-10", tanques T-72, BTR-80, e BMP-1 são uma violação grosseira das obrigações do lado russo como parte dos acordos de Minsk e como seu signatário, em conformidade com o ponto 2: "Complexo de medidas para implementação dos acordos de Minsk”, de 12/02/2015, e o ponto 2: “Adenda ao Complexo de medidas para implementação dos acordos de Minsk”, de 12/02/2015, no que respeita a “retirada de tanques e de canhões de artilharia de calibre até 100 mm e morteiros de calibre até 120 mm (inclusive)”.
Consideramos que a demostração de armamento militar por parte da Federação Russa durante as chamadas "paradas militares" nos territórios temporariamente ocupados da República Autónoma da Crimeia e na cidade de Sevastopol constitui uma continuação da política russa de militarizar a Crimeia e representa uma séria ameaça à segurança europeia. É ainda particularmente cínico o envolvimento de crianças menores para fins militaristas realizado pela administração da ocupação russa.
A Ucrânia exige que a Federação Russa pare imediatamente com as ações internacionalmente ilegais contra a soberania do estado e a integridade territorial da Ucrânia e tome medidas abrangentes para desocupar a parte do território soberano da Ucrânia, incluindo a retirada de todas as suas formações armadas, equipamento militar e mercenários.
Ao Ministério dos Negócios Estrangeiros da Federação Russa foi enviada uma nota de protesto.